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15/07/2011

emagrecer sem tomar remédio?

julho 15, 2011
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Entrevista com Suzy RegoRodrigo Schmidt/Época

Suzy Rêgo quer emagracer sem tomar remédio (Reprodução / Revista Época)fonte do vídeo:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=HZ8tkAbC7z8

Emagrecer sem tomar remédio (trecho)




Esse é o desafio da atriz Suzy Rêgo e de 65 milhões de brasileiros que estão acima do peso. A Anvisa pretende proibir a venda de inibidores de apetite. Como melhorar a alimentação e a atividade física para enfrentar os novos tempos

Cristiane Segatto, com Teresa Perosa e Bruno Segadilha

Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 16/julho/2011.


Assinantes têm acesso à íntegra no Saiba mais no final da página.


Rodrigo Schmidt/Época
“Quero voltar a usar manequim 42. Meu ponto fraco é a cerveja. Por ela eu troco qualquer refeição”
SUZY RÊGO, atriz, 44 anos, foi miss e modelo. Com 80 kg, veste manequim 46 e desfila roupas tamanho GG

Aos 17 anos, a modelo Suzy Rêgo perdeu a coroa de Miss Brasil por 1 ponto. Foi em 1984. O segundo lugar foi suficiente para que ela se destacasse da multidão. No auge da forma (1,73 metro e 57 quilos), posou para a Playboy e deu os primeiros passos como atriz. Hoje, aos 44 anos, o desafio de Suzy é o mesmo de 65 milhões de brasileiros: ela precisa emagrecer, como 48% da população adulta que, segundo o Ministério da Saúde, está acima do peso. Suzy chegou a pesar 104 quilos durante a gravidez dos gêmeos Marco e Massimo, que completam 2 anos neste mês. Agora, com 80 quilos, interpreta Duda Aguiar, uma atriz que vive em luta contra a balança na novela Morde & assopra, da TV Globo. Voltou às passarelas graças ao manequim 46. Aceita convites para desfilar como modelo GG, mas acredita que essa é só uma fase. “Assim que a novela terminar, quero voltar ao manequim 42”, diz. Basta querer?

Todos conhecem a receita básica do emagrecimento: alimentação saudável, atividade física e, em muitos casos, remédios. Mas essa estratégia pode estar com os dias contados. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende proibir no Brasil a venda de inibidores de apetite. A discussão entre as entidades médicas e as autoridades sanitárias se estende há seis meses. A decisão deverá ser anunciada nas próximas semanas.

No centro da polêmica está a substância sibutramina, cuja marca mais famosa é o Reductil. A droga atua no cérebro e aumenta a sensação de saciedade. É a principal escolha dos médicos que prescrevem remédios contra a obesidade. O tratamento é barato (R$ 20 por mês), mas incerto. Alguns pacientes não emagrecem nada. Outros podem perder mais de 20 quilos.

A justificativa da Anvisa a favor da proibição é um estudo de seis anos realizado pelo próprio fabricante (o laboratório Abbott) com 10 mil pacientes, a pedido da Agência Europeia de Medicamentos (Emea). Foram incluídos apenas obesos acima de 55 anos, com diabetes e histórico de problemas cardiovasculares. No grupo que recebeu placebo (comprimidos sem efeito), o índice de infarto, AVC ou outros problemas cardiovasculares foi de 10%. No grupo que tomou sibutramina, o índice foi de 11,6%. Ou seja: o risco aumentou 16%. Nenhuma morte foi registrada.

Embora o estudo tenha sido realizado com um grupo de alto risco, as autoridades europeias estenderam as conclusões para a população geral e proibiram a venda do remédio em janeiro de 2010. A Abbott também foi pressionada pela agência americana FDA e decidiu retirar a droga dos Estados Unidos. O mesmo ocorreu no Brasil no final de 2010, mas a sibutramina continuou disponível na forma de produtos genéricos ou similares.

Agora, além deles, a Anvisa pretende banir outros inibidores de apetite conhecidos pelo nome de “anorexígenos anfetamínicos”. São substâncias como anfepramona, femproporex e mazindol. Elas podem causar dependência e já não são vendidas na Europa e nos Estados Unidos. Restaria nas farmácias apenas o orlistat, conhecido pela marca Xenical. Ele não atua no cérebro e tem um efeito emagrecedor menor.

“Todo mundo quer saber o que, afinal, pode ser usado sem risco”, diz Suzy. Como ela, milhões de pessoas que caminham para a obesidade ou se tornaram obesas se sentem desamparadas. Não sabem em quem acreditar nem qual é a melhor estratégia a seguir neste momento. Suzy diz que tomou sibutramina e fórmulas com anfetamínicos em vários momentos da carreira. “Sempre me dei bem com os remédios porque fazia tudo com acompanhamento médico e nutricional”, afirma. “Eles são um recurso importante, mas não podem ser o único.” O peso dela sempre oscilou. A atriz diz que perder os quilos extras ficou mais difícil nos últimos três anos. “Comecei a engordar por desleixo. Depois fiz tratamento com hormônios para engravidar e engordei mais 10 quilos.”

Para recuperar a boa forma, ela quer voltar a fazer caminhadas e Pilates. Também pretende reequilibrar a alimentação com a ajuda de uma nutricionista. “Meu ponto fraco é a cerveja. Troco qualquer refeição por ela”, diz. Quando uma pessoa passa longos períodos sem comer adequadamente, o funcionamento do organismo muda para se adequar à falta de nutrientes. É por isso que quem faz dietas muito restritivas tende a engordar no longo prazo. “Como modelo, passava fome. Tomava litros de água, ia dormir sem comer, desmaiava nos lugares”, afirma. “Quando deixei a carreira, desencanei.” Engordava, tomava remédio, emagrecia. Parava de tomar, engordava de novo. Essas oscilações de peso são parte de um fenômeno bem conhecido pela ciência.

   Reprodução

Durante a Segunda Guerra Mundial, o pesquisador Ancel Keys, da Universidade de Minnesota, realizou um experimento que se tornaria um clássico. Pretendia responder a uma questão simples: o que aconteceria se homens jovens e saudáveis perdessem muito peso em pouco tempo? Keys selecionou 36 rapazes de peso normal e saúde perfeita, na idade do serviço militar. Quando a dieta começou, eles passaram a comer metade das calorias que ingeriam normalmente. Além disso, caminhavam 35 quilômetros por semana. Em seis meses, haviam perdido 25% do peso. Liberados da dieta, passaram os três meses seguintes comendo alucinadamente. Recuperaram todo o peso perdido ou ficaram gordos. Durante a dieta, os rapazes ficaram obcecados pelo tema “comida”. Não pensavam em outra coisa. Keys observou que eles perderam o interesse até mesmo por sexo. Um dos voluntários foi encontrado vasculhando uma lata de lixo. Os garotos, que antes da experiência eram emocionalmente saudáveis, começaram a sofrer de depressão e irritabilidade. O metabolismo deles passou a funcionar lentamente. A temperatura corporal despencou, a frequência cardíaca idem. Em suma: o corpo fazia de tudo para conservar as calorias disponíveis.

Quando a dieta chegou ao fim, os rapazes estavam encrencados. As refeições habituais deixaram de ser suficientes. Ingeriam alimentos muito mais calóricos e, ainda assim, se diziam insatisfeitos. Apenas uma hora depois de ter feito uma refeição de 5.000 calorias, começavam a beliscar. Alguns passaram a consumir 10.000 calorias por dia.

Nas décadas seguintes, os cientistas perceberam que é exatamente isso o que acontece com os obesos que perdem muito peso de repente. O emagrecimento só é duradouro se for gradativo e acompanhado de reeducação alimentar. Caso não possam mais tomar remédios para emagrecer, é fundamental que os gordinhos e os obesos redobrem a atenção sobre o que colocam no prato.

globo.com 








 


 
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